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DIA INTERNACIONAL DA FILOSOFIA

 

 

Como forma de assinalar o Dia Internacional da Filosofia, o respectivo grupo disciplinar levou a cabo um projecto nas turmas de 10º e 11ºano, cujo objectivo se propunha desenvolver o espírito reflexivo e crítico dos alunos.

Neste âmbito, a professora Elvira D’Oliveira desenvolveu uma actividade de reflexão e produção de texto, da qual foi seleccionado o texto da aluna Ana Malpique do 11º F.

 

Sentido da Vida

 

No âmbito do Dia da Filosofia, foi-nos proposta a elaboração de um texto no qual aprofundássemos a complexa temática do sentido da vida. E, realmente, numa pequena aproximação ao tema, é fácil constatar a sua profundidade e relatividade.

Peter Singer parte do Mito de Sísifo e adequa-o ao ser humano, considerando-o “uma metáfora sombria da falta de sentido na existência humana” e, se o relacionarmos com a nossa vida quotidiana, a conclusão não se diferenciará muito da de Singer.

Sísifo era um mortal que, como forma de castigo, foi forçado a passar o resto da sua existência a carregar uma pedra até ao cume de um monte. Por falta de meios, a tarefa mostrou-se impossível de realizar e, resignado, Sísifo era obrigado a reiniciar a sua tarefa. Tal como Sísifo, também muitos Homens se vêm nesta situação. O ser humano, movido pelas regras da sociedade, acaba por transformar a sua vida numa rotina, um ciclo sem fim, que parece apenas terminar na sua morte. Assim, como podemos falar do sentido da vida de alguém que, por falta de tempo ou de possibilidades, resume a sua existência a um conjunto de atividades diárias rotineiras que lhe garantem, e muitas vezes nem isso o fazem, a satisfação das necessidades básicas para ela e a sua família? Onde está o sentido, numa vida tão vazia?

Numa análise à minha vida, vejo-me agora estudante, com os maiores dos sonhos e todas as ambições que a juventude manda, esperança de um futuro de escolhas, oportunidades. Mas, acima de tudo, de uma vida que não me faça sentir perdida, uma no meio de muitas, mas sim guiada por um bem maior, com um verdadeiro sentido! É aqui que o duro realismo entra, para me fazer ver que como eu, muitos adultos de hoje foram os jovens confiantes num amanhã melhor. E esse amanhã chegou, com todas as rotinas e atividades a que se dá o nome de responsabilidades e que gradualmente se apoderaram das suas vidas. Ninguém abriu os braços à rotina, ela simplesmente se instalou em cada um deles, tal como deve acontecer numa sociedade. E, quer queiramos quer não, esse vai também ser o amanhã de muitos nós: trabalhar para sobreviver.

Tal modo de vida torna-se pesaroso e ingrato, vivemos de tal modo envolvidos nestas pequenas ações do quotidiano que não temos tempo para parar, e acima de tudo pensar na vida que levamos. Seremos mesmo felizes? Ou é uma felicidade conformada?

A questão da felicidade está, para mim, inteiramente relacionada com o sentido que a nossa vida tem. Ou que não tem. Então, se a rotina leva à falta de sentido, que por sua vez leva à infelicidade, quererá isso dizer que grande parte da população é infeliz? E se o é, então porquê trabalhar? Porquê estudar? Porquê fazer um esforço por viver uma vida em vão, vazia?

Penso que é aqui que entra a religião. Deus dá um significado à vida de cada um de nós, uma razão para viver. Acompanha-nos em vida e em morte, e essa é das melhores sensações que podemos sentir: Não estarmos sozinhos.

Com Ele, a nossa tão assustadora pequenez já não é assim tão insignificante, mas passa a ter valor. Dedicar a vida ao Senhor é ter uma causa, um motivo para viver, e é Ele que eu considero o meu abrigo.


Ana Malpique

nº1 11ºF